A infâmia da proibição da maconha

Em novo artigo, Emílio Figueiredo fala sobre a vigente hipocrisia que mantém a política proibicionista no país

A maconha passou milênios sendo considerada uma tecnologia arcaica de alimentação, religião, vestuários e outros usos. Contudo, desde o inicio do Séc. XIX, passou a ser perseguida. Tendo como auge dessa perseguição as convenções de drogas da ONU e a instituição da “Guerra às Drogas”.

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A proibição das drogas dentro de um modelo de combate bélico já é suficiente para ser considerada um período obscuro da história da humanidade, com muito mais mortes provocadas pela Guerra do que pelo uso das drogas.

No Brasil, esse obscurantismo é ainda mais evidente, considerando o real extermínio da juventude pobre de periferia, principalmente de negros. Há décadas que vemos notícias de tiroteios e mortes e a política não é repensada, pelo contrario, é repetida sempre com os mesmos resultados.

Contudo, a infâmia da proibição vai além do inadmissível extermínio de jovens, pois, ao proibir o uso da tecnologia da maconha, a proibição privou o homem do seu uso medicinal, algo que realmente é eficaz para vários males, impondo uma pena de vida de sofrimento à inúmeras pessoas.

E é certo que cada agente público, seja um burocrata de uma agencia estatal, ou perseguidor ou julgador deve ter consciência que faz parte de um sistema perverso imposto pela proibição violenta. Estaremos aqui sempre para denunciar as injustiças, o sofrimento e as mortes provocadas por suas ações e omissões.

*Emilio Figueiredo é advogado, defensor de usuários medicinais e cultivadores domésticos de maconha, consultor jurídico do Growroom.net e de associações de usuários medicinais de maconha. Também é do Conselho Consultivo da Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD) e participa de diversos projetos voltados para a reforma da política de drogas no Brasil, entre eles a Macô.

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