A Planta Maconha

Maconha – Informações gerais

O que é maconha?

Maconha é o nome dado no Brasil à planta Cannabis sativa, também conhecida popularmente por outros nomes como ganja, marijuana, fumo e bagulho. É considerada pela ciência como uma planta com propriedades psicoativas e terapêuticas. Os primeiros registros oficiais dela no país são do século XVIII, para a produção de fibras (cânhamo). Mas acredita-se que a maconha já existisse no Brasil há mais tempo, vinda com os escravos. A Cannabis sativa produz mais de 400 substâncias químicas, chamadas canabinoides, responsáveis tanto pelos efeitos psicológicos quanto pelas propriedades medicinais. Entre eles está o THC (tetraidrocanabinol ), CBD (canabidiol), CBN (canabinol) e THCV (tetrahidrocanabivarin).

Uso da maconha

As flores e folhas secas da maconha podem ser fumadas, vaporizadas ou ingeridas, sendo que a forma mais comum é a fumada. Nos dois primeiros casos a maconha é absorvida via pulmonar e atinge o Sistema Nervoso Central (cérebro) em apenas alguns segundos. Por ingestão, sua absorção é lenta, de 30 a 60 minutos.

Maconha e efeitos

A maconha causa efeitos psicoativos e fisiológicos quando consumida. Entre os efeitos imediatos estão o relaxamento e a euforia. No corpo, o usuário fica com a boca seca, habilidades motoras levemente debilitadas e vermelhidão dos olhos. Os efeitos de curto prazo mais comuns incluem aumento da frequência cardíaca e do apetite, além da diminuição da memória de curto prazo e de concentração. 

Os efeitos psíquicos dependerão da qualidade da maconha fumada e da sensibilidade de quem fuma. Para uma parte das pessoas, os feitos correspondem a uma sensação de calma e relaxamento, menos cansaço e vontade de rir. Para outras, ao contrário, os efeitos são desagradáveis: tremor, sudorese, sensação de angústia, medo de perder o controle mental (bad trip/ má viagem, bode).

Maconha faz mal?

Vários estudos investigam se o uso a longo prazo pode causar ou contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças, tais como doença cardiovascular, transtorno bipolar, oscilações de humor ou outros distúrbios mentais. No entanto, Seus efeitos sobre a inteligência, a memória, as funções respiratórias e a possível relação entre o uso de cannabis com transtornos mentais, como a esquizofrenia, a psicose, o transtorno de despersonalização] e a depressão, ainda estão em discussão e não foram confirmados.

Tanto defensores quando opositores do uso da planta são capazes de invocar inúmeros estudos científicos que apoiam suas respectivas posições.Por exemplo: enquanto a cannabis tem sido relacionada ao desenvolvimento de diversos transtornos mentais em alguns estudos, esses estudos são muito diferentes quanto ao fato de se é o consumo de cannabis a real causa dos problemas mentais exibidos em usuários crônicos, se esses problemas mentais são mesmo agravados pelo consumo decannabis, ou se tanto o uso decannabis quanto os problemas mentais são efeitos causados por algum outro fator.

Alguns efeitos, no entanto, já foram comprovados. Por exemplo, maconha diminui o número de espermatozoides (alguns estudos investigam, inclusive, se não poderia ser usado como um anticoncepcional masculino). Também pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro se for consumido durante a adolescência (o mesmo risco que oferece o álcool e outras drogas). E, se consumida na forma de cigarro, pode provocar câncer de pulmão.

Qual a diferença do “prensado” para um “bud”?

O prensado é a forma comercial da maconha mais popular no Brasil. No entanto, a produção deste não observa nenhuma norma de higiene ou mesmo de conservação. São produzidos principalmente no Paraguai, em plantios clandestinos. Nestes, o produtor rural coloca em uma prensa praticamente a planta inteira de cannabis (galhos, sementes, flores e folhas) para que se transformem literalmente em um “tijolo de maconha”. Os galhos e folhas são misturados com as flores para dar mais “volume” – muitas vezes, insetos que estavam na planta também acabam prensados. Este “tijolo” é transportado sem observar nenhum procedimento de conservação, o que promove a sua decomposição (que gera um cheiro de amônia) e, consequentemente, a perda substancial dos princípios ativos. Não é errado dizer que, no Brasil, se vende “maconha podre”, pois quando chega ao consumidor final o “prensado” já perdeu boa parte dos seus canabinoides, além do aroma e sabores da planta.

O “bud” ou “camarão” é como é comercializada a maconha em países que permitem o uso medicinal e recreativo da erva. Nestes lugares é vendido apenas a flor da cannabis, sem folhas ou sementes. Antes de ser vendida, os “buds” passam por um processo de secagem e, depois, de curagem, para preservar ao máximo os canabinoides. Um bud bem seco e curado pode preservar seus princípios ativos por meses e até anos. Em algumas regiões do Brasil, também são achados “camarões”, principalmente no Nordeste.

O que é haxixe?

Resumidamente, haxixe ou hash é a condensação dos tricomas extraídos da maconha. Tá, ok, mas o que é tricoma?

Os tricomas são pequenos apêndices que aparecem em toda a estrutura da planta. Parecem pelos ou pequenos folículos. No mundo vegetal, sua função é proteger as plantas contra pequenos predadores, como ácaros e insetos de pequeno porte). No caso da cannabis sativa, os tricomas são resinosos, e contém altos índices de canabinoides, principalmente do mais ativo, o THC. E. como ficam na parte externa da planta, podem ser retirados por meio de diversas técnicas.

O famoso haxixe marroquino, por exemplo, utiliza tricomas extraídos da planta seca, que acabam se parecendo com pólen (tem gente que jura de pé junto que haxixe é feito do pólen da planta, mas não é). O tricoma extraído da planta seca é chanado de kief.  No entanto, existem outras formas de extração de tricomas, que utilizam gelo, solventes e até butano. Mas o mais antigo é a extração feita com as próprias mãos, para a produção de um haxixe artesanal chamado de Charas. 

Maconha: verdades e mitos

Verdade: Em toda história da humanidade, não há registro de mortes relacionadas à maconha. Nenhuma!   

Mito: Não existe “supermaconha”, e sim maconha com os princípios ativos mais preservados. A mesma flor usada no prensado, se fosse secada e curada perfeitamente, poderia ter a mesma potência de um bud de Amsterdã. 

Verdade: A maconha, se for fumada, pode provocar enfisema pulmonar e câncer de pulmão.

Mito: Não existe “laboratório de maconha”, ou “maconha de laboratório”. Esse termo é usado principalmente pela polícia para especificar a produção feita em estufas. É o mesmo que chamar alface hidropônico de “alface de laboratório”. 

Verdade: O uso constante de cannabis também reduz o número de espermatozoides. No entanto, não interfere na virilidade masculina.

Mito: Em muitas apreensões, a polícia chama de “maconha hidropônica” os tijolos de prensado que têm a coloração mais esverdeada. Na verdade, é apenas um prensado mais “fresco”. Nenhum cultivador prensaria as flores cultivadas hidroponicamente (WTH!) 

Verdade: Até meados de 1880, mais de três quartos de todo o papel no mundo era feito de cânhamo. 

Mito: Não existe”maconha modificada geneticamente em laboratório”. O mais próximo desta definição seriam as cruzas feitas pelos cultivadores (macho de uma subespécie com fêmea de outra). É a mesma técnica usada para reproduzir outras flores, como por exemplo, rosas e margaridas. 

Verdade: Desde mais de mil anos antes de Cristo até cerca de 1880 DC, o cânhamo foi o maior cultivo agrícola e industrial do planeta, produzindo a esmagadora maioria das fibras, tecidos, óleos, papel, incensos e produtos medicinais do planeta.  

MitoOs proibicionistas mentem ao declarar que a maconha provoca psicose. Esta patologia está ligada à predisposição genética. Uma crise psicótica pode ser desencadeada por vários fatores, como uso de álcool e até mesmo estresse.  

Verdade: Uma colheita de cânhamo produz 4 vezes mais fibra crua do que uma plantação de árvores. Além disso, as árvores demoram 20 anos até serem adultas; já o cânhamo demora 4 meses.

Mito: Em muitas apreensões de pés de maconha, a polícia afirma que as plantas poderiam produzir tantos quilos. Isso é errado, porque, no momento da apreensão, a polícia não sabe nem se os pés são machos ou fêmeas. Só as fêmeas produzem buds, e o sexo só pode ser identificado durante a fase de floração. 

Verdade: O papel utilizado na primeira Constituição dos EUA era de cânhamo.

Mito: Maconha também não é sintetizada. Por mais degradada que esteja, é natural, vem de uma planta. No entanto, alguns canabinoides, como o THC, podem ser sintetizados.

VerdadeReza a lenda que a companhia Ford, depois de anos de investigação, produziu um carro cuja carroceria era feita de 70% de fibras de cânhamo. Este material resistia a pancadas 10 vezes mais do que o aço sem ficar com marcas, e o seu peso também era 2/3 o de um carro normal, sendo assim mais econômico. Mas, devido à proibição do plantio na época, a empresa teve que abandonar o projeto. 

Mito: Os tecidos e papéis feitos de cânhamo não causam qualquer “alteração de humor” às pessoas, pois as fibras não possuem canabinoides.

Fisiologia da Cannabis sativa

Cannabis sativa L. é uma planta herbácea da família das Canabiáceas (Cannabaceae), amplamente cultivada em muitas partes do mundo. As folhas são finamente recortadas em segmentos lineares; as flores, unissexuais e inconspícuas, têm pelos granulosos (tricomas) que segregam uma resina; o caule possui fibras industrialmente importantes, conhecidas como cânhamo; e a resina tem propriedades psicoativas bem documentadas podendo actuar como analgésico, anódino, antiemético, antiespasmódico, calmante do sistema nervoso, embriagador, estomático, narcótico, sedativo, tônico.

Etimologia

A palavra cannabis vem do grego κάνναβις (kánnabis – cannabis em latim). Seu nome científico é Cannabis Sativa L. O “L” vem do pesquisador Carolus Linnaeus, que descreveu a planta pela primeira vez em 1753.

Folhas e flores

As folhas são compostas em forma de palmeira ou digitadas, com folíolos serrilhados.O primeiro par de folhas, chamado cotilédones, geralmente têm um folíolo único, e, as de uma planta adulta, pode ter até um máximo de cerca de treze folíolos por folha (normalmente sete ou nove), dependendo da variedade e das condições de crescimento. 

Normalmente, os pés de cannabis produzem flores imperfeitas, com estames “masculinos” e pistilos “femininos” que ocorrem em plantas separadas. Não é incomum, no entanto, que plantas individuais possam suportar tanto flores masculinas e femininas (hermafroditas).

Subespécies e variações

Existem dois tipos de subespécie de Cannabis sativa L, a sativa e a índica, e cada uma possui duas variações. 

Cannabis sativa L.

Subespécie sativa: 

Sativa var. sativa

Sativa var. spontanea

Subespécie indica

Indica var. indica

Indica var. kafiristanica

Dentre as variações da Sativa, encontram-se a sativa em si, caracterizada por plantas grandes e com alto teor de THC, e a spontanea, conhecida também como ruderalis, que tem pequeno porte e também baixo teor de canabinoides e terpenos, sendo utilizada principalmente na produção de cânhamo. 

Na subespécie Indica, as variações são indica, que também são plantas de pequeno porte (não tanto quanto as ruderalis) e com índices mais marcantes de CBD do que de THC, e as kafiristanica, as famosas kush, com plantas do mesmo porte, mas com flores maiores e com mais presença de tricomas.