Canadá prevê lucro de US$ 16 bi por ano com legalização

Para fomentar futuros negócios, país realizou uma feira no final de abril com estande de várias empresas do ramo canábico.

O presidente do Canadá, Justin Trudeau, anunciou no ano passado a intenção de legalizar a produção, comércio e consumo de maconha para fins sociais a partir de 2018. Desde então, a especulação deste mercado no país cresceu muito, e a expectativa de lucros idem. A legalização poderia gerar um faturamento do setor pode chegar a US$ 16 bilhões por ano, segundo um estudo feito pela consultoria Deloite, com bases em dados de 2016.

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Um levantamento anterior havia especulado que a legalização poderia gerar até US$ 3,5 bilhões, mas os números apresentados pelo novo estudo são significativamente superiores.

Por causa deste grande mercado ainda a surgir no Canadá, foi realizada em abril a O’CannaBiz Conferência e Exposição. No evento, centenas de expositores buscaram parceiros e clientes. De fornecedores de embalagens a construtoras especializadas em estufas e ambientes climatizados, há oportunidades de negócio para todos os perfis e bolsos.

E se engana quem pensa que apenas fãs da maconha estão interessados. A administradora Michelle Woolf, por exemplo, comercializa um produto para remoção de odores de tabaco e cannabis.

“Tenho amigos que usam, e não suporto o cheiro. Vi nisso uma oportunidade. Alguns usuários não se importam, mas quem faz uso medicinal da erva não quer voltar ao escritório cheirando a maconha. Meu produto é antialérgico e voltado para esse público”, explica Michelle.

Outros empreendedores são longevos. A Organigram é um dos 43 produtores de maconha autorizados no Canadá. Fundada em 2014, tem 75 empregados, produz em média cinco colheitas e fatura $12 milhões por ano com a cannabis para uso medicinal.

Segundo o gerente de Marketing, Nick Robertson, a empresa se prepara agora para entrar no mercado de maconha para uso recreativo. “Nossa empresa está pesquisando o mercado, identificando os nichos e se preparando para lançar novas marcas voltadas para o público de uso recreativo”, diz Robertson, já emendando uma pergunta: “Como é no Brasil?”.

Informado que o cultivo e consumo são proibidos, ele não esconde sua decepção. “Talvez o mundo devesse olhar para o que estamos fazendo aqui no Canadá. Conseguimos desenvolver uma indústria regulada, sofisticada, que gera riqueza e emprega muita gente. Melhor que jogar todas essas pessoas na ilegalidade”, conclui.

A opinião é partilhada pela socióloga e pesquisadora do Programa de Estudos em Dependência da Universidade de Toronto Jenna Valleriani. “Estamos jogando essas pessoas nas mãos do mercado clandestino. Por que não garantir que tenham acesso a um produto de qualidade, testado, controlado, em um ambiente onde é possível garantir acesso à informação?”

A pesquisadora cita estudos que mostram que o álcool, e não a maconha, é a porta de entrada para drogas pesadas e afirma que um mercado regulado, com acesso a produtos com procedência comprovada, é questão de saúde pública. “A política de legalização da maconha proposta por Justin Trudeau vai fazer mais pela proteção dos jovens do que as proibições jamais fizeram”, diz.

O Departamento de Polícia de Toronto, que nos últimos meses fechou uma série de dispensários que desrespeitaram a lei atual, não comenta a proposta. O Diretor de Comunicação Corporativa da Polícia de Toronto, Mark Pugash, porém, deixa claro que o usuário não é prioridade.

“Não estamos aqui para comentar a lei, mas para cumpri-la”, diz. Pugash, contudo, concorda que a regulação pode enfraquecer as quadrilhas.

“Nossa prioridade é combater a produção, distribuição e comércio ilegal, que movimenta uma enorme quantia de dinheiro e invariavelmente abastece o crime organizado.”

Com informações da Folha de S.Paulo 

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