CBD ainda enfrenta muita burocracia no Brasil

Pacientes de várias partes do país relatam que, mesmo com prescrições médicas e autorizações da Anvisa, não estão recebendo o medicamento.

Nesta quinta-feira o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, vetou a lei que previa a distribuição gratuita de canabidiol (CBD) aos pacientes que participam do Programa de Prevenção à Epilepsia. O fornecimento havia sido aprovado pelos parlamentares da Câmara do DF no ano passado. A decisão, na época, foi considerada vanguardistas não só pelos ativistas, mas também pelas mães e pais de pacientes. Mas, agora, tudo indica que os pacientes deverão continuar a comprar o medicamento, nada barato, e que pode ser feito de forma segura em casa, caso o cultivo medicinal fosse aprovado.

Leia também: 
– No RS, criança fica sem CBD por causa de burocracia
– Pacientes de Marília (SP) ainda não receberam CBD este ano

Este é apenas mais um exemplo dos obstáculos enfrentados pelos pacientes brasileiros que já estão autorizados a receber CBD, mas, mesmo assim, ainda têm que se contentar com muita espera e sofrimento. Ainda nesta semana, familiares de pacientes de Marília, em São Paulo, relataram que ainda não receberam nenhuma ampola de óleo este ano. Estes pacientes ganharam na Justiça o direito de terem seus tratamentos custeados pelo Estado, mas a Secretaria de Saúde informou que ainda não havia feito o pedido dos remédios este ano – primeiro alegou que as autorizações estavam fora da validade, o que foi desmentido pelos beneficiados.

familias de pacientes que usam CBD (Reprodução / TV TEM)
Em Marília (SP), crianças com epilepsia ainda não receberam CBD este ano (Reprodução / TV TEM)

Ainda neste ano, uma menina do Rio Grande do Sul, a pequena Caroline, ainda não recebeu seu medicamento também. E não tem perspectiva de obtê-lo. Isso porque cada dose custa mais de mil reais, e sua mãe, que é professora, e o pai, que trabalha em oficina, não têm condições de comprar este medicamento. A criança, que sofre de síndrome de Dravet, continua sem medicamento. E sofrendo.

Reprodução / Internet)
Caroline sofre com a burocracia do CBD. Ela tem síndrome de Dravet (Reprodução / Internet)

É claro que esta burocracia tem nomes e sobrenomes, em diversos órgãos de vários estados do país. Não é um computador que faz isso, e sim uma pessoa normal, ou melhor, várias pessoas normais. E estas pessoas, nomeadas como chefes em seus respectivos setores, precisam pensar o seguinte, antes de criar qualquer entrave para a entrada do CBD no país: E se fosse eu que precisasse deste medicamento? E se fosse meu filho? E se fosse minha esposa, ou meu companheiro? Se a resposta for “eu faria a mesma coisa”, saiba que seu DNA pode estar ligado a algum reich nazista. 

O canabidiol é remédio. E, por ser extraído de uma planta pra lá de polêmica no mundo, acabou sendo estigmatizado como algo, de certa forma, maligno. E não é. Ao contrário, deve começar a ser interpretado como sinônimo de alegria, e de esperança de cura. 

As autoridades de Saúde em geral precisam lavar seus rostos para tirar esta lama urgente de seus olhos. Precisam enxergar que existem pacientes que precisam de um remédio, e estes não querem nem saber de onde seu medicamento é extraído. Eles querem viver. E, pelo menos, até o momento, a vida deve vir em primeiro lugar. Sempre.

Fontes: Correio Brasiliense, Diário Gaúcho, G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *