Cinco grandes mentiras sobre cannabis, e como rebatê-las

Maconha não diminui a inteligência, e também não é porta de entrada para outras drogas. Confira:

A desinformação da população sobre a cannabis em geral tem sido a principal aliada dos proibicionistas. O site ativista Alternet elencou as cinco maiores mentiras proferidas pelos soldados da guerra às drogas. E também elaborou respostas com base em dados científicos. Confira:

1- Consumo de maconha diminui inteligência
Uma das mais antigas inverdades sobre o consumo de cannabis. E ganhou um reforço científico após uma pesquisa feita em 2012, que relacionava o uso persistente de cannabis antes dos 18 anos de idade com baixo QI na vida adulta. No entanto, uma revisão separada dos dados desta pesquisa contestou qualquer ligação direta entre o consumo de cannabis e o QI diminuído. Essa análise afirmou que este estudo não conseguiu averiguar adequadamente potenciais variáveis que não foram contempladas, como o status socioeconômico das pessoas entrevistadas. 

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Mais recentemente, pesquisadores das universidades da Califórnia e de Minnesota avaliaram se o uso de maconha estava associado a mudanças no desempenho intelectual em dois grupos de gêmeos adolescentes. Os participantes foram avaliados para inteligência de 9 a 12 anos, antes do envolvimento da maconha, e novamente entre 17 e 20 anos. Os pesquisadores não encontraram relação dose-resposta entre o consumo de cannabis e o declínio do QI.

2. Legalização da maconha gera epidemia de outras drogas
Reclamações recentes dos governos proibicionistas de que o uso de maconha pode estar ligado ao aumento do uso de crack e opioides não é suportada pela ciência. Na realidade, inúmeros estudos encontram o resultado oposto.

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Especificamente, pesquisadores ligaram o acesso legal de maconha a menores taxas de uso de opiáceos, hospitalização e mortalidade. Por exemplo, um estudo realizado em 2016 por pesquisadores da Universidade de Michigan informou que os pacientes com dor crônica reduziram seu uso de opioides em 64% quando a cannabis ficou disponível.

Um outro estudo, liderado por pesquisadores das universidades canadenses de British Columbia, Montreal e Simon Fraser diz que a maconha pode diminuir o consumo de crack. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores analisaram, por dois anos e meio, a rotina de 122 dependentes de crack que haviam relatado estar usando maconha e crack simultaneamente.

Pesquisadores israelenses também documentaram resultados semelhantes em um grupo de pacientes com dor resistente ao tratamento, relatando uma redução de 44% no consumo de opioides dos participantes após a introdução de cannabis medicinal. 

 3. Fumaça da cannabis é mais prejudicial para os pulmões do que a fumaça do tabaco
Embora alguns estudos tenham associado a exposição crônica à fumaça da maconha a casos mais elevados de tosse, fleuma e bronquite, a ciência refutou as alegações de que a inalação de cannabis causa problemas respiratórios graves comumente associados ao tabagismo.

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O maior estudo para investigar os efeitos respiratórios nos Estados Unidos afirma que o uso de cannabis não está associado a cânceres de pulmão, mesmo entre os indivíduos que relataram fumar mais de 22.000 baseados ao longo da vida.

Avaliações de estudos similares de todo o mundo chegaram a conclusões semelhantes, encontrando “pouca ou nenhuma associação entre a intensidade, a duração, o consumo acumulado ou a idade do início de começar a fumar cannabis e o risco de câncer de pulmão em todos os indivíduos ou nunca fumantes”.

Além disso, ao contrário da fumaça do tabaco, a inalação de maconha não está associada negativamente a medidas da função pulmonar, como o volume expiratório forçado e a capacidade vital forçada, mesmo entre os consumidores de longo prazo. Finalmente, os consumidores de cannabis podem mitigar sua exposição a gases combativos utilizando um vaporizador, que aquece as flores de maconha até um ponto onde os vapores de cannabinoides se formam, mas abaixo do ponto de combustão. 

4. Regiões que regulamentaram o mercado de maconha sofreram um aumento da violência
Na verdade, muitas regiões que legalizaram sofreram uma queda na criminalidade violenta após a legalização. Por exemplo, um estudo de 2014 publicado por pesquisadores da Universidade do Texas informou que a promulgação de “leis de maconha medicinal precede a redução do homicídio e do assalto”. 

Um outro estudo financiado pelo governo federal dos EUA publicado por pesquisadores da Califórnia também informou que a proliferação de lojas de cannabis medicinal em áreas urbanas “não estava associada a crimes violentos ou taxas de crimes de propriedade” e especulou ainda que as instalações podem potencialmente reduzir os crimes, já que muitos comércios contratam seus próprios segurança nas portas, utilizam câmeras de segurança e tomam outras medidas para dissuadir criminosos.

Dados específicos de estados que regulam a venda de maconha recreativa produzem resultados semelhantes. Em Washington, onde os eleitores legalizaram o uso de adultos em 2012, o crime violento caiu dez por cento em todo o estado. No Colorado, as taxas de crime violento e crime de propriedade caíram na cidade de Denver após a legalização. As taxas de criminalidade também diminuíram de forma semelhante em Portland, Oregon, de acordo com um recente relatório de política do think tank da CATO.

5. Legalização aumenta mortes no trânsito
Embora alguns estudos encontrem um risco ligeiramente elevado de acidente de carro nos motoristas que consumiram THC, outros estudos apontam que não há relação. No entanto, esse risco está bem abaixo do oferecido por motoristas que consumiram álcool.

De acordo com os dados publicados no periódico Epidemiologia de Lesão, os motoristas com testes positivos para o álcool possuíam um risco elevado de acidente que era mais de dez vezes maior do que os motoristas que apresentaram resultado positivo para THC .

Mais importante ainda, os dados das regiões dos EUA que legalizaram a maconha não mostram aumento nos acidentes. Escrevendo em dezembro no American Journal of Public Health, os pesquisadores da Universidade de Columbia (EUA) informaram: “Os estados com leis para maconha medicinal apresentaram menores taxas de mortalidade por tráfego do que os estados onde o consumo proibido”.

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