Editorial #07: Da Daya à kaya

Última semana no Rio de Janeiro foi uma das mais canábicas de toda a história. Destaque para as palestras das representantes da Fundação Daya.

* Por Dório Ewbank Victor

Se em cada ano, dos últimos dez que se passaram, tivesse uma semana com tantos eventos canábicos como a registrada no Rio de Janeiro, com certeza a legalização já seria uma realidade para os brasileiros. Os últimos sete dias na Cidade Maravilhosa ofereceram mostra de filmes, debates, audiências públicas, e finalizou com uma marcha pela orla da Zona Sul pra lá de pacífica e positiva.

+ Editorial #01: Pelo fim do anonimato

Tudo começou com uma sessão do filme “Falcão” e dos curtas “Narcoturistas” no Centro Cultural da Justiça Federal, no centro do Rio, na última terça. O local sediou a II Mostra “As Histórias da Cannabis”, organizado pelo coletivo João do Rio, que foi até domingo. Foram exibidos vários filmes sobre o assunto, mas o melhor foram os debates promovidos ao término de cada sessão, com vários experts de políticas de drogas e da diamba em si. Entre os especialistas estavam alguns da Abracannabis, como o médico e pesquisador da UFRJ João Menezes, e o antropólogo Frederico Policarpo.

+ Editorial #02: Cebedê o quê? 

O destaque para os dois eventos de sexta-feira, tanto no auditório da Cândido Mendes quanto na Alerj, ficou por com conta das representantes do projeto Mama Cultiva, promovido pela Fundação Daya (foto que ilustra este texto). As chilenas Ana Maria Gazmuri e Paulina Bobadilla mostraram um pouco do seu trabalho de ativismo com várias mães de crianças portadoras de epilepsia, um trabalho revolucionário e ímpar em todo o mundo.

+ Editorial #04: Sobre usuários cultivadores

Mas, em termos de emoção, em nada deixou a desejar Margarete Brito, da Abracannabis, ao ler uma carta aberta na Alerj, escrita por várias mãos de várias mães de pacientes brasileiros que lutam pelo autocultivo para por um fim a esta hipocrisia que só prejudica o tratamento de seus filhos. A carta emocionou inclusive as chilenas, que estão propondo parcerias com as mães que já cultivam clandestinamente cannabis no país.

Enfim, no sábado, eis que o ativismo fluminense se concentra em peso no Jardim de Alah, para mais uma Marcha da Maconha. Representantes de diversos grupos canábico estiveram presentes, e tiveram espaço para expressar suas ideias e prioridades nesta luta pela legalização e descriminalização.

Destaco aqui algumas pessoas que ajudaram a movimentar esta semana canábica no Rio, como o deputado Carlos Minc; a Abracannabis, em especial o presidente Pedro Zarur; a socióloga Julita Lemgruber; e os advogados e ativistas Emílio Figueiredo e Ricardo Nemer, pratas da casa da Macô.

Importantíssimo que todos os coletivos, de todo o país, se mobilizem para promover, principalmente nas capitais, mais eventos que tragam o assunto cannabis à tona. Precisamos fomentar cada vez mais esta discussão na sociedade.

*Dório Ewbank Victor é jornalista, ativista e editor da Macô

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *