Editorial #09: Maconha nos esportes

Recente punição do lutador Diego Brandão levanta a questão: os atletas consomem cannabis de forma medicinal, ou para melhorar resultados?

Por Dório Ewbank Victor*

O basquete, futebol americano, MMA e hóquei no gelo são modalidades esportivas bem diferentes. Mas os atletas destes esportes precisam ter algumas habilidades e técnicas que são necessárias e comuns entre eles, como velocidade, reflexo, e, principalmente, atenção ao momento, ao agora.

+ Editorial #08: Cemitério de pontas

E aí que vem o X da questão: quando comparamos estas habilidades, com os efeitos provocados pelos canabinoides, pouco tem a ver, se não nada. Tudo indica que nenhuma “onda” da maconha possa incrementar qualquer uma destas habilidades. Mas por que tantos atletas estão caindo nos exames antidoping por maconha? A resposta está além do doping, e pode morar na questão medicinal da erva.

+ Editorial # 06: Prensado’s seedbank 

Além de ser um anti-inflamatório eficaz, a maconha também pode diminuir o estresse pré e pós competições. Como um chá de cidreira, como um rivotril, enfim, como qualquer calmante vendido sem censura. Mas a interpretação feita pelas autoridades no assunto é que, sim, a cannabis pode ser considerada como um doping, embora ainda não expliquem direito o motivo desta proibição.

+ Editorial #02: Cebedê o quê? 

Vários atletas defendem a retirada dos canabinoides da lista negra dos exames antidoping. Como Jay Williams, ex-jogador do Chicago Bulls, recentemente fez uma declaração polêmica para a Fox News, afirmando que 80% dos atletas da liga usam cannabis de forma medicinal.

No futebol, a Sindicato Internacional dos Jogadores tenta há anos liberar a cannabis para os atletas consumirem medicinalmente. O sindicato, com sede na Holanda, alega que a cannabis não melhora o resultado dos jogadores em campo, e que o consumo da erva é legal em muitos países.

Aqui no Brasil, a bola da vez foi o lutador Diego Brandão, suspenso por nove meses do UFC por ter caído no exame antidoping em janeiro deste ano. O exame encontrou “metabólitos de cannabis” no atleta.

Brandão ainda não se pronunciou sobre a questão, mas fica a dúvida: ele entraria no octógono chapado para lutar com o touro do Brian Ortega? Ou usou antes para relaxar para a luta, ou para amenizar as dores de alguma contusão? Não precisa ser especialista em doping para saber a resposta.

Existe uma parcela de culpa por parte dos profissionais do esporte, em também não levantarem mais a bandeira da cannabis medicinal. Sabemos que grande parte das contratações dos clubes se dão mais por marketing do que por talento. E levantar a bandeira da legalização ainda é um tabu. Mas, enquanto isso não acontecer, mais atletas terão seus resultados, no mínimo, contestados e anulados por conta do uso de cannabis.

Da parte dos atletas brasileiros, a única menção à cannabis registrada ao vivo e para todo o Brasil foi feita pelo Ronaldo o Fenômeno, durante jogo da Seleção Brasileira – as câmeras flagraram ele chamando o jogador Edmundo para beber e fumar um. Mas o fato foi visto com bom-humor pelos brasileiros. Afinal, não existe canabinoide capaz de provocar dribles como aqueles que nos deram o tetra e o penta. Nesta atual seleção careta, só temos que nos contentar com o 7 a 1.

* Dório Ewbank Victor é escritor, jornalista, ativista e editor da Macô.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *