Editorial #17: Maconha no Google

Não precisa fazer nenhuma pesquisa profunda para descobrir o impacto da Guerra às Drogas na cultura canábica. Basta “guglar” que os resultados falam por si só.

Por Dório Ewbank Victor*

Interessante como ainda tem gente replicando inverdades sobre a cannabis. Sabe aquele slogan “usuário financia traficante”? Este ainda está na ponta da língua de muita gente quando falamos de maconha, seja em nossos trabalhos, seja até mesmo em nossos lares. Coloca o usuário, medicinal ou não, como o responsável por todas as balas perdidas e chacinas registradas em comunidades carentes, e ignora completamente que é a proibição que promove tais barbáries.

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Informação tem de sobra na internet, mas àqueles que integram a massa de manobra proibicionista não gostam de pesquisar na maioria das vezes. Preferem propagar aquilo que ouviu há décadas, provavelmente, na mesma época que não era permitido nem votar, ou mesmo expressar nossa opinião.

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Não é necessário fazer nenhum levantamento oficial para ver o fracasso do proibicionismo no Brasil. Basta digitar a palavra maconha no Google, que os resultados falam por si só. Dezenas de centenas de milhares de reportagens. E, com o sistema de verificação de notícias, geralmente, todas são verdades.

Neste caldeirão de matérias, qualquer um pode perceber que as operações policiais ainda são o foco das notícias aqui. Com muitas mortes, prisões e muitas apreensões. Com muita dor, medo e sofrimento. E exemplificam muito o desperdício de dinheiro público para manter o aparato que sustenta o proibicionismo no país.

Quando falamos que a Guerra às Drogas é uma idiotice, é porque, dentre inúmeros aspectos, nunca encontraremos no Google a notícia “Polícia prende o último traficante”. Isso porque o tráfico é infinito. E esta afirmação é totalmente justificada, se analisarmos que o consumo de cannabis é milenar, e que qualquer atividade ilícita que gere muita grana sempre vai perpetuar em qualquer sociedade, por mais evoluída que seja. Por mais legalizada que seja.

Ainda na busca de maconha no Google, também encontramos um pouco de reportagens sobre a realidade dos países legalizados, que geralmente registram bilhões em arrecadação tributária, diminuição da violência urbana, novas descobertas quanto ao uso medicinal, campeonatos e feiras, produtos e mercados, etc.

Se qualquer integrante da massa de manobra proibicionista comparasse as reportagens, mudaria de opinião. Não precisar ser um gênio da sociologia para perceber que algo que diminui a violência (legalização) é melhor que algo que aumenta a mesma (proibição). Que algo que faz menos mal do que álcool e cigarro poderia gerar a mesma arrecadação de impostos que os mesmos citados, quiçá mais. E que lotar cadeias com pretos e pobres flagrados com gramas de erva não melhora a violência em nenhum ligar do mundo.

Na verdade, para estes mantenedores da proibição da erva, a pesquisa não deveria se restringir ao famoso site de buscas. Deveria começar por dentro de si mesmos, para descobrir do que é composta a sua opinião, quais os elementos formadores, para aí sim comparar com o que diz a ciência atual. Se a intenção for boa, com certeza mudará o que pensa.

* Dório Ewbank Victor é escritor, jornalista, ativista, e editor da Macô.

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