Flávio Bolsonaro pede afastamento de professor ativista

Deputado federal acionou o Ministério Público do Rio e Secretaria de Educação para afastar profissional por ter tatuagem de folha de cannabis.

O tema “legalização da cannabis” cresce a passos largos no cenário brasileiro, e os proibicionistas não vão dar esta vitória de mão beijada aos usuários. Uma prova disso foi o deputado federal Flávio Bolsonaro, filho do defensor de torturador Jair Bolsonaro, que pediu ao Ministério Público do Rio, e à Secretaria estadual de Educação, o afastamento de Pedro Mara, professor e diretor do CIEP 210, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Segundo o parlamentar, o professor faz apologia às drogas, por ter uma folha de cannabis tatuada no braço.

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“Desconheço relação de tatuagem com apologia. Tenho tatuagem e milito na Marcha da Maconha. Promovo debates. Quando fala da minha tatuagem, o Bolsonaro joga uma cortina de fumaça nos reais problemas do ensino público do Rio. Fui eleito pela comunidade escolar com 408 votos para ser diretor”, declarou Mara, em entrevista ao jornal O Dia.

Mas o pedido do parlamentar pode ter um viés político. Mara critica e milita contra o ‘Escola sem partido’, defendido pelo clã Bolsonaro. O docente também apoiou a ocupação de escolas por alunos e participou de atos promovidos pelo Psol, legenda de esquerda com ideais totalmente opostos aos de Bolsonaro.

A Macô repudia este infeliz ato do parlamentar Flávio Bolsonaro, e se coloca à disposição de ajudar de alguma forma o professor Pedro Mara. 

Professor escreve nota

“Ontem no inicio da noite recebi telefonema da imprensa sobre as ações do deputado Flavio Bolsonaro, pedindo ao Ministério Público e à SEEDUC minha saída da direção do CIEP 210 e da sala de aula. Gostaria de esclarecer algumas coisas importantes:

1 – Se o deputado tivesse alguma preocupação com a educação pública desse estado, certamente estaria cobrando explicações do Pezão e do secretário Wagner Victer sobre as escolas, turmas e turnos que foram fechadas pela quadrilha que dirige o Rio de Janeiro. O deputado em questão sequer teve a coragem de comparecer à audiência pública realizada na própria ALERJ no dia 28 de Junho deste ano. Se ele tivesse responsabilidade com educação estaria pedindo a saída do governador e do secretário que são os responsáveis pelo caos;

2 – O deputado faz uma acusação e um vídeo totalmente sem fundamento e não apresenta denúncia objetiva de apologia ao uso de drogas. Quando isso ocorreu? Em que sala? Qual aluno testemunha isso? Onde está o registro disso ou por que isso não foi registrado na escola? Por que as direções das escolas nunca interviram ou encaminharam processo? Por um único motivo: não há e nunca houve apologia ao uso de drogas;

3 – O deputado, cinicamente, diz que se preocupa com o envolvimento de jovens com drogas. O mais engraçado é que não vi nenhuma nota ou pronunciamento em relação aos 96 traficantes que atuavam fardados no Batalhão de São Gonçalo. Hipócrita! Diferente dele que acha que bandido bom é bandido morto (mas não vale se for PM), eu sou dos que apostam na educação e na construção de uma outra sociedade;

4 – Os mesmos que dizem hoje que eu devo sair da direção da escola por uma tatuagem podem ser os mesmos que podem pedir a minha saída amanhã por orientação sexual ou por cor da pele. O motivo não importa, tampouco a razão. São fascistas e apenas destilam ódio;

5 – Sou um diretor eleito de escola. Diferente deles que acham que o aluno é doutrinado, o que eu vi e tenho visto são escolas vivas, com jovens cheios de sonhos, que debatem e querem um futuro e uma sociedade melhor, com varias colorações politicas e ideológicas. A escola pública segue viva, apesar dos Bolsonaros, que NUNCA estudaram em escolas da rede estadual de ensino;

6 – A exposição mentirosa imaginada por esta mente doentia produz ainda mais ódio na sociedade. Vi comentários absurdos e recebi mensagens no facebook piores ainda. Por isso o deputado é responsável por qualquer tipo de “sinistro”;

7 – Defendo a legalização (nunca escondi) e sou simpatizante da Marcha da Maconha. Exatamente porque a guerra às drogas está fracassada e só é pretexto para matar pobre, preto e favelado todos os dias.

8 – Estou conversando com a assessoria jurídica e esperando ser oficialmente notificado sobre o caso. Tomaremos medidas judiciais cabíveis. Mas não acredito na justiça desse país (a mesma que absolveu a Adriana Ancelmo). Acredito que só a luta muda a vida e vamos continuar ocupando as ruas com os nossos sonhos até a vitória. E por mim, ocupa tudo, porque criminoso é deixar aposentado sem receber e estudante sem escola.

Seguiremos na luta, um grande abraço e #ocupatudo
Pedro Mara – professor de sociologia e diretor eleito do CIEP 210″

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