Gabrielle Rayane: Parkinson e a Cannabis

Tratamento convencional provoca sintomas adversos em 80% dos pacientes. Efeito analgésico da maconha pode trazer efeitos positivos aos portadores da doença.

Descrita pela primeira vez por James Parkinson em 1817, a doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa que afeta o sistema nervoso central (SNC). Estima-se que 1% da população mundial apresente esta desordem neurodegenerativa. Os casos normalmente estão relacionados à idade, quanto mais velho o indivíduo, maiores as chances de vir a desenvolver a doença.  Casos precoces, abaixo dos 50 anos, costumam estar ligados à mutações genéticas.

+ Maconha pode tratar sintomas do Parkinson

Até os dias atuais não se pode estabelecer uma causa específica para a doença que se caracteriza pela perda de neurônios dopaminérgicos (neurônios dependentes de dopamina) no SNC. Sabe-se que esta degradação pode ocorrer naturalmente pela degradação da própria dopamina, que libera substancias toxicas (Espécies Reativas de Oxigênio) e pelo contato com substancias tóxicas, como agrotóxicos e algumas drogas.

Como não se conhece o mecanismo de evolução e desenvolvimento da doença não se pode estabelecer um tratamento que cure a doença, assim sendo, o tratamento visa apenas melhorar os sintomas físicos e psicológicos de modo que o paciente esteja apto a conviver com a doença.

A destruição dos neurônios dopaminérgicos ocorre principalmente em regiões de controle motor, o que ocasiona os principais sintomas, que costumam caracterizar a doença, que são a bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural. Nota-se também a presença de alterações psiquiátricas no portador, as quais tendem a evoluir à demência.

Desde que foi descoberta, no final dos anos 60, a Levodopa é o medicamento mais utilizado no tratamento da DP. Este medicamento é um precursor de dopamina no SNC, mas quando ingerido oralmente, rapidamente é metabolizado e convertido em dopamina fora do SNC, ou seja, não consegue agir na região que deveria. Para reduzir esta conversão, a Levodopa é administrada juntamente com a Carbidopa, cuja função é auxiliar a Levodopa a chegar no SNC. Juntos eles formam o tratamento padrão ouro para a DP.

Efeitos adversos

Mesmo quando administrado juntos, uma parte da Levodopa é convertida fora do SNC, isto ocasiona os efeitos adversos do tratamento, que ocorrem em aproximadamente 80% dos pacientes, sendo gastrintestinais (náusea, vômito e anorexia), cardiovasculares, sendo o mais comum a hipotensão, efeitos comportamentais e psicológicos, como ansiedade, depressão, insônia, confusão, delírios e alucinações (síndrome esquizofrenia-símile).

Além disso, após certo tempo de uso da medicação, o portador passa a se tornar resistente a ela, se fazendo necessário o aumento da dose e consequente aumento na intensidade dos efeitos adversos.

Tratamento com cannabis

O corpo humano possui um sistema chamado de endocanabinoide, este sistema é responsável por responder aos compostos da maconha, como o THC e o CBD, e gerar os efeitos no organismo. Os receptores canabinoides, CB1 e CB2, se encontram espalhados por todo organismo e possuem no geral a função de manter a homeostase (equilíbrio) dos sistemas.

Os receptores do tipo CB1 atuam em centros de controle motor, onde inibem/reduzem a ativação das vias deste controle e com isso reduzem os sintomas motores da DP e outras doenças, como a síndrome de Tourette.

A maconha possui efeito analgésico, uma vez que atuam nos neurônios responsáveis por transmitir os sinais dolorosos aos centros de comando. Portanto, impedindo que o sinal chegue, não há dor!

Na amígdala ela causa a sensação de relaxamento e ansiolítica (quanto mais relaxado menos tremor o paciente apresenta).

O uso noturno da Cannabis reduz a fase do sono REM, a fase onde ocorrem os sonhos e a atividade cerebral é semelhante a de quando estamos acordados. Esta fase do sono no portador da DP se encontra estendida e isso ocasiona um aumento dos sintomas motores durante o dia.

O organismo produz diariamente duas substancias que possuem efeitos semelhantes ao do CBD, a anandamida e o 2-AG, estes compostos são produzidos apenas sob estimulo e demanda, que são controlados também pela dopamina e uma deficiência dela ocasiona a consequente deficiência de ambas, portando o uso do CBD supriria essa deficiência.

Muitas pessoas hoje falam do potencial destrutivo de neurônios que a maconha apresenta, mas muitos estudos atuais indicam que ela possui uma capacidade neuroprotetora e antioxidante. Esta ação antioxidante pode proteger os neurônios dopaminérgicos da morte ocasionada pela oxidação da dopamina.

Com isso a Cannabis pode auxiliar o portador como um coadjuvante ou até mesmo como tratamento principal da DP.

Sobre riscos 

Quanto aos riscos de uso existem assim como em qualquer outro medicamento. Sendo maior em portadores de alguma desordem ou patologia psiquiátrica, em jovens em fase de desenvolvimento e de usuários que utilizam a droga na forma de cigarros, já que sua fumaça pode ser toxica ao sistema respiratório, mas isto pode ser solucionado pelo uso de vaporizadores ou pelo óleo de Cannabis.

Não há, atualmente, registro de morte ocasionada pelo uso EXCLUSIVO da maconha. Também não há risco de vício físico e o vício psicológico é muito menor do que em usuários de álcool, tabaco e opioides (morfina, codeína, heroína…).

Muitos estudos devem ser publicados nos próximos anos, assim saberemos mais sobre seus benefícios e malefícios, mas devemos sempre pensar em como o uso da Cannabis, independente da forma de administração que o paciente prefira, pode melhorar a qualidade de vida do portador, não só da DP mas das inúmeras doenças que ela pode auxiliar, então por que não deixar todos os pré conceitos de lado e começar a utilizá-la?!

Dica: Muitas pessoas já devem ter visto, mas para quem não viu, segue abaixo o vídeo de um policial aposentado dos EUA, que já fez todos os tratamentos possíveis para a DP, inclusive a cirurgia, e não obteve melhora nos sintomas e quando faz o uso do óleo da Cannabis rapidamente os sintomas melhoram!

Um comentário em “Gabrielle Rayane: Parkinson e a Cannabis

  • 29 de janeiro de 2018 em 14:00
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    Vou mostrar para meu sogro, obrigada!

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