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Epilepsia

“Grupo de transtornos neurológicos de longa duração caracterizados por ataques epilépticos, que são o resultado de atividade excessiva e anormal das células nervosas do córtex cerebral. A epilepsia não tem cura, embora os ataques possam ser controlados com medicação em cerca de 70% dos casos “.  (Wikipedia)

Vários relatos de casos de uso de cannabis contra a epilepsia, em todo o mundo, chamaram a atenção da mídia nos últimos anos. No entanto, os médicos e cientistas ainda investigam a capacidade do canabidiol de diminuir ou acabar com os sintomas associados à epilepsia pediátrica intratável.

Em dezembro de 2013 o Food and Drug Administration (FDA) aprovou nos Estados Unidos o uso terapêutico do cannabidiol em pesquisas para tratamento de epilepsias refratárias em crianças. No mesmo ano, um grupo da University of California e outro da New York University School of Medicine conseguiram autorização para iniciar suas pesquisas.

Mal de Alzheimer

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Não existe cura para a doença, a qual se agrava progressivamente até que eventualmente leva à morte. A doença é geralmente diagnosticada em pessoas com idade superior a 65 anos, embora possa ocorrer mais cedo. Em 2006, existiam no mundo 26,6 milhões de pessoas com Alzheimer e em 2050 prevê-se que afete 1 em cada 85 pessoas à escala mundial.” (Wikipedia)

Existem diversas pesquisas que apontam que o uso de cannabis pode retardar os efeitos do mal de Alzheimer. A mais recente foi divulgada em 2014. Os cientistas da Universidade da Flórida (EUA) divulgaram uma pesquisa que afirma que níveis muito baixos de THC  são capazes de reduzir a quantidade de beta-amiloide no cérebro — uma proteína que leva à doença de Alzheimer.

Em 2005, um grupo de pesquisadores espanhóis já havia revelado que os canabinoides podem prevenir a perda de memória e reduzir a inflamação cerebral associada ao Alzheimer.

Dores crônicas

“Cerca de um terço da população apresentará algum tipo de dor crônica durante a vida. À medida que vivemos mais, cresce o número de pessoas com dores na coluna, articulações, doenças reumáticas, câncer, degenerações ou inflamações nos órgãos internos e outros problemas que podem provocar dores crônicas”. (Drauzio Varella)

Diversas pesquisas já apontam que a cannabis ajuda no tratamento de dores crônicas, que, geralmente, são tratadas com analgésicos tão potentes (como acetaminofeno, opióides) que, a longo prazo, estes medicamentos podem provocar uma série de efeitos secundários adversos, incluindo AVC, ataque cardíaco e morte por overdose acidental.

Vários ensaios clínicos do Foods and Drugs Adminitration (FDA) indicam que a maconha inalada pode aliviar significativamente a dor neuropática.

Uma pesquisa de 2008 feita na Universidade da Califórnia comprovou que o uso de cannabis reduziu a dor neuropática de diversas causas em indivíduos que não respondem a terapias de dor padrão.

Em 2010, um estudo da Universidade McGill 2010 relatou que a cannabis fumada melhora não só a intensidade da dor, como também a qualidade do sono e crises de ansiedade  Outra análise, feita pela FDA em 2013 relatou que, mesmo em pequenas doses, a cannabis reduz até 30 % na intensidade da dor.

Síndrome de Tourette

“A síndrome de Tourette ou doença de Gilles de la Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico hereditário que se manifesta durante a infância, caracterizado por diversos tiques físicos e pelo menos um tique vocal. ” (Wikipedia)

Existem vários estudos sobre o uso de canabinoides para o tratamento desta síndrome. Em 1999, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Alemanha de Hanover relataram sucesso do tratamento da síndrome de Tourette com uma única dose de 10 mg de THC. Nesta pesquisa, os pesquisadores constataram que o escore de gravidade do “tique” caiu de 41 para 7 em duas horas após o uso de canabinoides.

Em 2003, uma revisão dos dados publicados na revista Expert Opinions in Pharmacotherapy informou que, em pacientes com ST adultos, “a terapia com delta-9-THC deve ser tentada”. Uma revisão feita em 2013 conclui algo semelhante: “O THC é recomendado para o tratamento de TS em pacientes adultos, quando os tratamentos de primeira linha não conseguirem melhorar os tiques em pacientes adultos resistentes ao tratamento, por conseguinte, o tratamento com THC deve ser tido em consideração. “

Incontinência

“Incontinência Urinária é a queixa da perda involuntária de urina, exceto para crianças. Não é considerada uma doença. Trata-se de um consequência que pode ter diferentes causas. A Organização Mundial de Saúde estima que 10% da população mundial apresente algum grau de incontinência urinária. No Brasil, isso representa mais de 20 milhões de pessoas com o problema.” (Wikipedia)

Em fevereiro de 2003, o jornal britânico Clinical Rehabilitation publicou que pesquisadores de Oxford  descobriram que doses de extratos de canabinoides melhoram o controle da bexiga em pacientes que sofrem de esclerose múltipla e de lesão medular. Os investigadores do Instituto de Neurologia de Londres seguiram estas conclusões para realizar um estudo piloto de extratos à base de cannabis para a disfunção da bexiga em 15 pacientes com esclerose múltipla avançada. Após a terapia com canabinoides , a “urgência urinária” diminuiu significativamente nestes pacientes, segundo o estudo.

Mais recentemente, dados apresentados na reunião anual da Associação Americana de Urologia 2006 indicaram que os medicamentos análogos à maconha podem reduzir a inflamação da bexiga. Em função destes resultados, os especialistas têm recomendado o uso de canabinoides como agentes potencial “de segunda linha” para o tratamento de incontinência.

Hipertensão

“Hipertensão é uma doença democrática que acomete crianças, adultos e idosos, homens e mulheres de todas as classes sociais e condições financeiras. Popularmente conhecida como “pressão alta”, está relacionada com a força que o sangue faz contra as paredes das artérias para conseguir circular por todo o corpo. O estreitamento das artérias aumenta a necessidade de o coração bombear com mais força para impulsionar o sangue e recebê-lo de volta. Como consequência, a hipertensão dilata o coração e danifica as artérias.” (Drauzio Varella)

Pesquisas recentes indicam que o sistema de canabinoides da maconha desempenha um papel na regulação da pressão sanguínea, embora o seu mecanismo de ação não seja ainda bem compreendido. Os estudos em animais demonstraram que a anandamida e outros canabinoides suprimem a contractilidade cardíaca e podem normalizar a pressão sanguínea.  Apesar destes estudos, o uso clínico de cannabis ainda precisa de mais pesquisas para o FDA aprovar sua indicação nos EUA.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

“A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é provocada pela degeneração progressiva no primeiro neurônio motor superior no cérebro e no segundo neurônio motor inferior na medula espinhal. Esses neurônios são células nervosas especializadas que, ao perderem a capacidade de transmitir os impulsos nervosos, dão origem à doença. O principal sintoma é a fraqueza muscular, acompanhada de endurecimento dos músculos” (Drauzio Varela).

Faltam na literatura científica estudos sobre o uso de canabinoides para o tratamento da ELA. No entanto, uma pré-análise com base em relatos de pacientes revelam que os canabinoides podem retardar a progressão da ALS. Alguns canabinoides, como o THC, poderiam ser eficazes em moderar o desenvolvimento da doença e em aliviar alguns sintomas relacionados com o ALS, tais como dor, perda de apetite e depressão.

Em março de 2004 a revista Amyotrophic Lateral Sclerosis & Other Motor Neuron Disorders publicou que pesquisadores do Centro Médico da Califórnia descobriram que a administração de THC em animais, tanto antes como depois do início dos sintomas da ELA, freiam a progressão da doença e aumentam a sobrevida.

Em 2010, a revista American Journal of Hospice publicou um reportagem feita com vários pesquisadores que, com base nos dados científicos disponíveis atualmente, afirmaram que é, no mínimo, razoável pensar que a cannabis pode retardar significativamente a progressão da esclerose lateral amiotrófica, e pode ser a esperança de vida para muitos pacientes.

Fibromialgia

“Fibromialgia caracteriza-se por dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se manifesta especialmente nos tendões e nas articulações. Trata-se de uma patologia relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor que atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos. A fibromialgia não provoca inflamações nem deformidades físicas, mas pode estar associada a outras doenças reumatológicas o que pode confundir o diagnóstico”. (Drauzio Varella)

Novamente, existe uma falta de pesquisa quanto ao uso terapêutico da cannabis no tratamento da da fibromialgia. Mas relatos de pacientes que usam a cannabis terapeuticamente apontam que os canabinoides são eficazes para tratar os sintomas da doença, como dores e lesões musculoesqueléticas.

Existem alguns ensaios clínicos que avaliam o uso de canabinoides para tratar a doença. Em 2006, a revista Current Medical Research publicou uma pesquisa feita na Universidade de Heidelberg (Alemanha), que avaliou os efeitos analgésicos da THC oral em nove pacientes com fibromialgia, durante um período de 3 meses. Os pacientes que participaram do estudo receberam doses diárias de 2,5 a 15 mg de THC, e não receberam nenhuma outra medicação para a dor durante a pesquisa. Entre os participantes que completaram o estudo, todos relataram uma redução significativa da dor.

Um estudo de 2008 publicado no The Journal of Pain informou que a administração do nabilone (canabinoide sintético) diminuiu significativamente a dor em 40 indivíduos com fibromialgia. “Como nabilone melhorou os sintomas e foi bem tolerado, pode ser um complemento útil para a gestão da dor na fibromialgia”, os investigadores concluíram.

Em 2010, uma pesquisa realizada na Universidade McGill, em Montreal (Canadá) também registrrou que baixas doses de nabilone melhoraram significativamente a qualidade do sono em doentes diagnosticados com a doença.

Em 2011, pesquisadores do Hospital del Mar em Barcelona (Espanha) avaliaram os benefícios da cannabis em pacientes com fibromialgia em comparação com pacientes que não usaram a substância. Vinte e oito usuários e não-usuários participaram do estudo. Os autores relataram que  “os pacientes utilizaram cannabis não só para aliviar a dor, mas para quase todos os sintomas associados à doença, e ninguém relatou piora dos sintomas após o consumo de cannabis “. Os investigadores concluíram: “. Os resultados deste estudo, juntamente com evidências anteriores parecem confirmar os efeitos benéficos de canabinoides sobre sintomas da fibromialgia”

Gliomas

“Glioma é um tumor de células gliais, células que protegem, nutrem e dão suporte aos neurônios. Logo, podem ocorrer no encéfalo, na medula espinhal ou mesmo junto a nervos periféricos. São responsáveis por aproximadamente 30% de todos os tumores do sistema nervoso central e por 80% dos tumores malignos iniciados no cérebro.” (Wikipedia)

A revisão da literatura científica moderna revela numerosos estudos pré-clínicos e um piloto estudo clínico demonstrando a capacidade dos canabinoides para atuar como agentes antineoplásicos, principalmente em linhas de células de glioma.

Em setembro de 1998, a revista FEBS Letters publicou uma pesquisa da Universidade Complutense de Madrid, que informava que delta-9-THC induziu apoptose (morte celular programada) em células de glioma em cultura. Os pesquisadores prosseguiram com os estudos, e, em 2000, reafirmaram que a administração de  THC e do canabinoide sintético WIN 55,212-2 “induziu uma regressão significativa dos gliomas malignos” em animais.

Em 2003, pesquisadores italianos na Universidade de Milão relataram que o canabinoide não psicoativo canabidiol (CBD) inibiu o crescimento de várias linhas de células de glioma humano in vivo e in vitro. Publicado no Journal of Pharmacology and Experimental Therapeutics, em novembro de 2003, os pesquisadores concluíram que o “CBD produz uma atividade antitumoral significativa tanto in vitro como in vivo, sugerindo uma possível aplicação de CDB como um agente antineoplásico. “

Pesquisadores do instituto de pesquisa Califórnia Pacific Medical Center têm relatado que a administração de THC em células de glioblastoma multiforme provoca a diminuição da proliferação de células malignas e morte celular induzida mais rapidamente do que a administração de WIN 55,212-2. Os pesquisadores também afirmam que THC atua seletivamente nas células malignas, ignorando os saudáveis de uma forma mais profunda do que a alternativa sintética. Um estudo pré-clínico separado informou que a administração combinada de THC e o temozolomida (TMZ) produz uma “autofagia reforçada” ( morte celular programada) em tumores cerebrais resistentes aos tratamentos convencionais anticâncer.

Além da capacidade dos canabinóides de atuarem nas células de glioma, estudos independentes demonstram que os canabinoides também podem inibir a proliferação de outras linhas de células de cancro diferentes , incluindo o carcinoma da mama , da próstata , carcinoma colorrectal , adenocarcinoma gástrico , carcinoma da pele , as células de leucemia , neuroblastoma, carcinoma do pulmão , carcinoma do útero , epitelioma tiróide , adenocarcinoma do pâncreas, carcinoma cervical, cÂncer de boca, do trato biliar ( colangiocarcinoma ) e linfoma.

Esclerose múltipla

“Esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica, provavelmente autoimune. Por motivos genéticos ou ambientais, na esclerose múltipla, o sistema imunológico começa a agredir a bainha de mielina (capa que envolve todos os axônios) que recobre os neurônios e isso compromete a função do sistema nervoso. A característica mais importante da esclerose múltipla é a imprevisibilidade dos surtos.” (Drauzio Varella)

Os relatórios clínicos quanto à capacidade dos canabinóides para reduzir os sintomas relacionados com esta doença, tais como dor, espasticidade, depressão, fadiga e incontinência, são abundantes na literatura científica.

Em 2008, os pesquisadores da Universidade de San Diego (Califórnia)relataram que, se inalada, a cannabis reduz significativamente os níveis de intensidade da dor e espasticidade em pacientes com Esclerose Múltipla, em um ensaio clínico randomizado controlado com placebo. Eles concluíram que “cannabis fumada foi superior ao placebo na redução da espasticidade e dor em pacientes com esclerose múltipla”.

Em 2012, uma outra pesquisa também comprovou que a cannabis inalada ajuda no tratamento dos sintomas desta doença. Esse estudo, publicado no Jornal da Associação Médica Canadense, concluiu que “a cannabis fumada foi superior ao placebo na redução dos sintomas e da dor em pacientes com espasticidade resistente ao tratamento.”

Outros estudos sugerem que os canabinoides podem também inibir a progressão da esclerose múltipla, além dos benefícios no tratamento dos sintomas já citados.  Em julho de 2003, a revista Brain publicou uma pesquisa do Instituto de Neurologia de Londres, que informava que a administração do canabinoide sintético WIN 55,212-2 fornecia “neuroproteção significativa” em um modelo animal de esclerose múltipla. “Os resultados deste estudo são importantes porque sugerem que, além de gestão de sintomas, … a cannabis também pode retardar os processos neurodegenerativos que conduzem finalmente à deficiência crônica na esclerose múltipla e, provavelmente, outra doença”, concluíram os investigadores.

Em 2012, pesquisadores espanhóis descobriram que “o tratamento com o canabinoide WIN55,512-2 em ratos com a esclerose múltipla reduziu a progressão da doença.” Os investigadores também relataram que a administração de THC por via oral pode aumentar a função imunológica em pacientes com EM.

 

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