Minas Gerais: apreensão de autocultivos aumenta 53% em apenas 10 meses

Análise foi feita entre janeiro e outubro do ano passado. Para especialistas, atitude pode ser viável para combater o tráfico de drogas.

Dados divulgados pela Polícia Militar de Minas Gerais registram o crescimento do movimento grower (usuários de cannabis que plantam sua própria erva para não financiar o tráfico) neste estado. De janeiro a outubro do ano passado, o número de cultivadores apreendidos pela polícia cresceu 53% em comparação com o mesmo período de 2016.

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De acordo com o major Flávio Santiago, chefe da assessoria de imprensa da Polícia Militar, a lei tem o mesmo rigor para quem for flagrado plantando a erva, independentemente do tamanho da plantação. “Seja um único pé ou 300 pés de maconha, a pessoa irá responder na Justiça. Obviamente, essa quantidade vai influenciar na pena a ser definida”.

Reportagem do Hoje em Dia retrata o cotidiano de alguns usuários/cultivadores de Minas. Como o morador da capital Belo Horizonte, identificado como Júlio, que começou a cultivar em 2013. Diz ter sido motivado pelo desejo de não comprar a droga na mão de traficantes. “É uma forma de você enfraquecer a cadeia do tráfico. É ali que está a guerra, a violência, o aliciamento de menores e tudo de pior quando o assunto são as drogas”, afirma.

Para especialistas em políticas voltadas para drogas, os flagrantes do cultivo dentro das residências são crescentes em todo o país, apesar de as estatísticas estarem concentradas nas apreensões de grandes carregamentos de maconha.

Pesquisadora do Instituto Igarapé, ONG que tem debatido o tema, Ana Paula Pellegrino afirma que o fenômeno pode contribuir para que outros modelos de políticas de drogas sejam viabilizados. “Se forem adotadas medidas objetivas de distinção entre consumo e tráfico, o cultivo pessoal pode ser uma alternativa viável”.

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